Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Educação e Humanidades
Faculdade de Educação da Baixada Fluminense
Professor: Ivan Amaro
Aluna: Camila, Flávia Arruda, Gleycon, Luana, Marciele, Lusiete Ferreira
Tipo de trabalho :Fichamento
Capítulo 2
Uma escola para novos tempos.
Diante de uma nova sociedade modificada através dos tempos com seus avanços tecnológicos e econômicos, devemos ter também mudanças nas instituições escolares, visto que nesta sociedade capitalista tudo está voltado para a organização de trabalho, num intuito de construir uma melhor classe trabalhista, e assim aumentar a lucratividade, objetivo do sistema capitalista, onde as instituições escolares não podem ficar de fora, já que é ela que forma esses trabalhadores.
O papel dessas instituições é de, se assim pode-se dizer, disciplinar o indivíduo para ser um bom trabalhador, cumpridor de deveres, normas e horários. Mas as diferenças culturais, geográficas e econômicas, podem intervir diretamente nesta formação, um estudante de classe econômica mais desfavorecida, dificilmente poderá alcançar uma condição superior a de sua realidade, claro que há suas exceções, talvez isso ocorra pelas oportunidades encontradas no percorrer de sua formação, e pelas dificuldades que encontram.
As mudanças na economia: novo paradigma produtivo.
A busca pela liderança de mercado traz consigo um pensamento competitivo, e cada vez mais as instituições escolares vem se enquadrando nessas novas condições mundiais para atender a essa nova era formando indivíduos cada vez mais competitivos. Com a globalização as expectativas são cada para cada Vaz mais se fazer circular o capital financeiro pelo mundo.
O estado passa a ter menos intervenção nesse modelo de economia. Com essa nova economia a competitividade aumenta as desigualdades sociais e econômicas, de forma que todos competem, mas só que se sai melhor consegue ser bem sucedido socialmente e economicamente. O papel dessa escola é preparar é justamente esse tornar trabalhadores competidores em busca de seu lugar no mercado de trabalho. Como já enfoquei anteriormente, essas condições podem ser diferentes dependendo da região em que vive, por exemplo, em favelas, onde é concentrada as classes operárias em que se competem no mercado de trabalho pelo seu lugar, e na maioria das vezes procura algo de acordo com a sua condição social, mas é claro que em tudo há exceções.
Não é difícil entender que para essas transformações tecno-científicas que invadem nosso mundo, modificando a todo tempo e em todo lugar o mercado de trabalho, e para se manter nele, deve-se estar atualizado e qualificando-se e pronto para partir para uma nova profissão que garanta um pouco de mais de estabilidade.
A revolução informacional
Estamos em um momento histórico de transição da sociedade industrial para a sociedade informacional, segundo o sociólogo francês Alain Tourraine (1995) na sociedade industrial predominou a produção de bens materiais e na sociedade informacional, o que vem se destacando é a difusão de bens culturais, em especial, podemos destacar a informação.
Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde e Organização Internacional do Trabalho, distribuição da força de trabalho, em 1997, o índice foi de 62% no setor terciário, que incluem os serviços informacionais. Esse crescimento leva os especialistas a antever a criação do setor quaternário ou informacional.
A revolução tecnológica, com a presença TV, do telefone celular e dos computadores, na área da comunicação, nas várias mídias, é acessível a poucos. Como a grande parte da população é de classe pobre, não tem acesso a essas invenções, acontece então a exclusão cultural e as pessoas de baixa renda não podem exercer o poder crítico diante de tantas informações trazidas pela mídia.
A informação é relevante, mas por si só ela não nos leva ao saber. A informação é um caminho que nos leva ao conhecimento, que precisa ser bem analisada e interpretada, possibilitando à crítica e a coleta seletiva da informação, de modo que ela não “teleguie” as ações das pessoas.
O povo precisa aprender a ter sua própria opinião, apesar da “chuva de informações” que muitas vezes faz com que a pessoa se engane com o que ela realmente deseja saber.
A despolitização da sociedade
Em se tratando de política, o povo, na maioria das vezes, cai na descrença de seus representantes, já não acredita na ação pública e na solução dos problemas.
O egoísmo, individualismo e o pouco caso social, faz com que maior número de Ongs apareçam, a cada dia, tentando fazer o que os governantes deixam a desejar. E isso afeta a formação da cidadania, uma vez que é preciso educar para a participação social, para as múltiplas faces culturais, grupos sociais, valores e direitos humanos. Isso mostra o papel da escola e de outros bens culturais, na formação do cidadão, que aprende a participar nos processos decisórios que existem na sociedade civil.
A crise ética
Na atual conjuntura, existem crises de valores, e o que predomina é um relativismo moral baseado no interesse pessoal, ou seja, “primeiro eu”, sem referência a valores humanos como a dignidade, a solidariedade, a justiça, a democracia, enfim, o respeito ao próximo, o respeito mútuo. E é aí que entra a escola que pode contribuir com a revitalização da formação ética, tanto em pequena escala, no cotidiano, quanto entre povos, etnias, grupos sociais, reconhecendo as diferenças pessoais e as culturais.
Além disso, ao lado de tanto conhecimento científico e das tecnologias, é necessário obter a difusão de saberes socialmente úteis, entre outros, proteger o nosso planeta, combater a violência, evitar o racismo e a segregação racial (todos somos iguais), enfim, respeitar sempre os direitos humanos, assim estaremos respeitando à nós mesmos.
A Exclusão social
Apesar das transformações impulsionarem os avanços científicos e tecnológicos, e com isso proporcionarem novas formas de conhecimento, entretanto elas também provocam um aumento da distância social e econômica entre os que têm acesso e os que não têm acesso a esse processo.
De acordo com Frigotto (1996), “No plano socioeconômico, o ajustamento de nossas sociedades à globalização significa a exclusão de dois terços da humanidade dos direitos básicos de sobrevivência, emprego, saúde, educação”.
Podemos notar o incentivo de se cultuar no plano cultural e ético-político o individualismo e a naturalização da exclusão social. Que é visto como conseqüência natural e inevitável do processo de modernização e globalização da sociedade. O que no plano da educação não fica muito diferente, onde temos distintas qualidades de educação: educação para ricos e educação para pobres.
Com isso notamos que a escola não poder mais ser vista isoladamente de outros contextos sociais. Ela precisa estar voltada para as novas realidades, estar ligada ao mundo econômico, político, cultural, e ser o principal modelo contra a exclusão social.
A escola necessária para os novos tempos
A escola ideal para os novos tempos é a que deve promover formação cultural e científica, mas também promover através da ciência, da técnica, da linguagem, da estética, da ética, uma cultura contra a exclusão econômica, política, cultural, pedagógica.
Atualmente, apesar da gama de informações que existem fora do contexto escolar, a escola não perdeu o seu lugar de importante instancia de promoção de educação básica – capacidade de ler e escrever, interpretar, formação científica, formação crítica, formação ética, formação estética, desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas.
A escola de hoje não pode se limitar a reproduzir meramente as informações contidas a respeito das matérias, a transmitir a informação contida no livro didático. Ela deve fazer um “mix” entre a cultura que acontece fora do contexto escolar – na rua, nas praças, na família, na internet – e a cultura formal. Os alunos vão aprendendo a buscar a informação através dos meios de comunicação, fazendo um link com as informações obtidas na sala de aula, analisando criticamente, dando-lhes significado pessoal e social, juntamente com o professor, que tem o papel insubstituível de mediador, auxiliando o aluno para fazer a síntese entre a cultura formal e a cultura experienciada.
Para que isso ocorra segundo Libaneo (2008), a escola de vê ser capaz de “articular sua capacidade de receber e interpretar informação, com a de produzi-la, considerando-se o aluno sujeito do seu próprio conhecimento.
Objetivos
A instituição escola esta englobada nas esferas de influência da sociedade, esta, no entanto, toma seu papel primordial no desencadear da construção e formação dos indivíduos e as necessidades destes em relação ao seu meio.
Tendo em vista a adaptação e as modificações das quais se estruturam na sociedade, em meio às mudanças advindas desta, torna se necessário uma modificação no sistema de maior influência na vida dos indivíduos.
Devido a tais modificações no modelo das escolas, estas pretendem ampliar suas estruturas educacionais e adaptar-se inserindo seus métodos e sua política neste novo contexto social. Pois sendo esta a “engrenagem” maior que movimenta a sociedade, torna se necessária essa acompanhar este novo modelo de sociedade.
Desta forma, seus objetivos, estão inseridos nas necessidades nas alterações que englobam este novo contexto, para que desta forma venham ocorrer uma construção democrática em todo seu plano social. Onde seus objetivos são propostos de maneira que enfatize no seu intuito de promover aos seus alunos um maior desenvolvimento cognitivo, trabalhando a identidade destes e sua autonomia, preparando seus alunos para os novos desafios, dos quais está inserido na sociedade, formando estes como ser pensantes que não se alienam mais que impõem suas concepções busque por seus objetivos como seres críticos que questionam e procuram a sua verdade, além buscar desenvolver e formar nestes o mais importante valor para conceber a si mesmo e aos demais uma sociedade mais justa e humanitária.
Para que ocorram tais modificações no sistema de ensino e que estes objetivos venha ser alcançados é necessário que a escola busque focar suas atenções em uma mudança na qualidade de ensino voltando sua atenção para uma qualidade “cognitiva da aprendizagem”, formulando seu projeto político e pedagógico mediante a este aspecto em fundamental. Pois segundo esta nova estrutura de escola, as mudanças a que esta se propõe realizar só obterá êxito, se inserimos nos alunos uma aprendizagem global “que atendam suas necessidades pessoais e econômicas”. A escola como formadora de uma sociedade pensante obtém seu papel de suma importância sobre a vida destes e o desencadear da estrutura e formação da sociedade. Sendo este, a preparar os novos cidadãos para os obstáculos e desafios que imposto pela nova “sociedade contemporânea”.
Ampliando os objetivos da escola
Nota-se que assim como os partidos políticos e os sindicatos, outras formas de movimentos que estão relacionados à ação política, por possuírem o objetivo de desenvolver a democracia e de tentar construir uma sociedade mais justa, estão surgindo. Como exemplo, podemos citar os movimentos feministas, os ecológicos e os pacifistas. Em relação aos movimentos feministas ressalta-se que a escolha por ter a função de interagir e de orientar os alunos a respeito da importância desses movimentos deve expor em suas práticas pedagógicas a importância da igualdade.
Educação para igualdade entre os sexos
Tal importância pode ser exposta para os estudantes através do estabelecimento de um único tipo de uniforme para os ambos os sexos, excluindo assim, o uso de saias para meninas e calças compridas para os meninos, utilização das palavras aluno e aluna nas provas ou nos comunicados, e não apenas a palavra aluno que se encontra no gênero masculino para fazer referência a ambos os sexos. Essas práticas pedagógicas são importantes, porque ensinam os estudantes a ver o outro com uma visão igualitária no que diz respeito a relação da igualdade dos direitos entre homens e mulheres .
Educação ambiental
Com o consumo exacerbado de mercadorias industrializadas alem dos problemas decorrentes da destruição da natureza, nos torna uma sociedade de constante risco. Alem disso, é grande a moradia de pessoas nas favelas, ou moradias inadequadas. Somando-se com o não investimento econômico.
Com diferentes entendimentos em relação à educação ambiental, como por exemplo, a corrente conservacionista que defende a preservação das matas, de animais, dentro de uma noção de natureza biofísica intocável.
A corrente naturalista propõe uma forma de educação pelo contato com a natureza, a vida ao ar livre.
A corrente de gestão ambiental incentiva ações de movimentos sociais, de comunidades e de governos na luta pela despoluição das águas e do ar, criticando todas as formas de depredação da natureza, principalmente a industrial.
A corrente da economia ecológica que agrupa organismos internacionais, incluindo o Banco Mundial, a FAO, a UNESCO e varias organizações não governamentais e associações ambientalistas.
Essas correntes nos mostra muitas concepções e formas de fazer educação ambiental no entender pedagógico e contribui para a formação humana levando os alunos a reflexão, educando as crianças e jovens para proteger, conservar e preservar espécies, traz o autoconhecimento e o conhecimento do universo, introdução a ética da valorização e do respeito a diversidade das culturas, as diferenças, entre outros.
A escola não pode ser, sozinha, responsável pela tarefa de educação ambiental, envolve ações praticas do nosso cotidiano no diversos ambientes. Uma outra atitude que deve existir e a de recusa na concepção de progresso baseado na capacidade de possuir mais objetos e bens de consumo.
Educação intercultural
A idéia de acolhimento da diversidade, o reconhecimento dos outros como sujeitos de sua individualidade, sendo a diversidade a primeira referencia para a luta pelos direitos humanos.
Como uma grande presença da diversidade na sociedade, resultante da transversalidade de culturas, no sentido de que toda cultura é plural.
O fato é que, tanto professores como alunos convivem com uma pluralidade crescente de pessoas de diferentes lugares, em geral por causa da migração. Com isso, as crianças convivem com diferentes etnias e diferentes linguagens, requerendo da equipe decisões sobre os objetivos escolares, uma proposta curricular que incorpore essa visão intercultural. Trata-se de uma mudança de mentalidade, de transformação das formas de pensar, de sentir, de comportar-se em relação aos outros.
O que é preciso saber é uma forma para articular, ajudar os alunos a fazerem as ligações entre cultura elaborada e a sua cultura cotidiana, de mo que adquiram instrumentos conceituais, formar de pensar e de sentir, para interpretar a realidade e intervir nela.
Considerações Finais
O presente capítulo apresentou reflexões a cerca das mudanças que os novos tempos trouxeram para escola. Entretanto, com todas as inovações cientificas e tecnológicas, a escola não perdeu o seu importante papel como formadora do cidadão.
Mas o para que isso ocorra de fato, é preciso considerar toda “bagagem” trazida pelo aluno. Jamais desprezar o conjunto de significados, valores, crenças, modo de agir, resultantes da educação informal, que muitos trazem para a escola, ou seja, o currículo extra-escolar.
A escola juntamente com os professores precisa articular parte da cultura informal (internet, TV, vídeos, cinema, conversas entre adultos e entre amigos, rádio, diferenças culturais, etc.) trazida pelos alunos, ajudando-os a fazerem ligações entre a cultura elaborada e a sua cultura cotidiana, para só assim conseguirem adquirir instrumentos conceituais necessários, para através da forma de pensar e de sentir, interpretar a realidade e intervir nela. E não serem meros repetidores.
Referência
LIBANEO, J. C. Uma escola para novos tempos. In: LIBANEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 5. ed., Goiânia: MF Livros, 2008.
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